Comparando com os dias atuais, percebemos que a caverna é o mundo em que vivemos, onde estamos segmentados de ideias, sentimentos e reações para manter uma vida em sociedade.
A caverna é a ilusão que temos da realidade. Achamos que sabemos “todas as verdades” mas como saber “a verdade” se tudo que vemos é só a ponta do iceberg.
Analisando o que é o senso comum, é possível afirmar que somos aquilo que a sociedade exige que sejamos.
Quando não podemos sair do “dito como normal”, do que todos no senso comum entendem como aceitável em um comportamento.
E quando nos dispomos de uma forma diferente, somos taxados, apontados e estereotipados.
A realidade está nos olhos de quem vê.
Deparamos com a falsa imagem de mundo perfeito, pois temos nossos olhos voltados para o que é dito como correto.
Nas sombras, estão refletidas as percepções daquilo que enxergamos, o que pegamos porém, nem sempre é a verdade, é ilusão imaginar o que poderia ser ou chegar perto de ser uma “verdade absoluta”.
Senso crítico, talvez esse seja o termo adequado para o mundo exterior deste conto, para tirar essas vendas da facilidade e futilidade, escalar a caverna e aprender a identificar o conhecimento.
Ao se libertar desta caverna, ele passa a pensar por si só, percebendo o que o cerca, as possibilidades do mundo lá fora, é assim que nós fazemos a imagem da liberdade, palavrinha tão importante e almejada.
“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.” – Cecília Meireles
Pensando na realidade, queremos ser independentes, livres, fazer o que temos vontade. Mas nos submetemos a seguir o que as sombras mostram como correto.
A realidade (no caso o mundo exterior) está no campo das ideias, de sentimentos reais, exemplo: Comer o lanche do Mc Donalds por ser gostoso (como representado em propagandas) ou comer por que nos condicionamos a um pensamento de que ele é gostoso. Usamos roupas por que queremos, ou por que nos submetemos à falsa ilusão de que uma roupa muda a nossa identidade. Essas ideias estão muito bem explanadas e explicadas no filme Clube da luta, no filme Quem somos nós, no filme Matrix, no filme Instinto e em tantos outros.
O filme Clube da luta fala claramente sobre consumismo, sobre um ideal de corpo físico. No filme Quem somos nós, os cientistas e pesquisadores explicam como o nosso cérebro funciona, desde o ver até o sentir, onde o nosso ver é condicionado e o nosso sentir pode ser apenas vestígios do que temos como vício. No filme Matrix ele tenta dar uma ideia do que é controle, e qual controle é esse? Mídia, igreja, política, família, amigos, escolas, etc.
Agora, será que o que vemos ou ouvimos não pode produzir um falso conhecimento do que é real?
Chegamos a um estágio de resumir nossas vidas a nascer, crescer e morrer.
“Mas as pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer.” – música Panis et circenses (expressão em latim Pão e jogos circenses) – Mutantes
Submetemos-nos a usar roupas nas quais não nos sentimos confortáveis, trabalhar por obrigação, comer sem vontade e sem sentir sabor, e ainda viver intensamente aquilo que de fato não temos a real necessidade de viver.
A volta dele a caverna, é motivada pela falta da vida em sociedade e a vontade de mostrar aos outros aquilo que ele descobriu, porém, o que ele viu pode desagradar a grande maioria, ou “a massa”.
E essa massa tem importância para o indivíduo, mundo onde a maioria não compartilha do seu raciocínio, logo, para ele o mundo se torna vazio e sem sentido, a convivência se torna impossível. Nem sempre aquilo que é bom para este será bom para a maioria.
Estamos expostos todos os dias a sermos “linchados” por nossos pensamentos e sentimentos mais profundos.
Analisemos agora exemplos mais fatídicos do que é “pensar livremente”:
Quando Nicolai Copérnico, em 1537, em um cenário de uma época dominada pela Igreja Católica e sua Santa Inquisição, desenvolveu a Teoria do Heliocêntrico, essa teoria afirmava que o os corpos celestes giravam em torno do Sol, o problema foi que, essa teoria vinha de encontro com a teoria tida como “verdade absoluta” desenvolvida por Aristóteles e Ptolomeu, para um “mundo” ou melhor dizendo, uma sociedade que acreditava piamente no criacionismo (deus criou o Universo) e que o homem era a sua criação predileta. Logo, nesta visão de predileção, os corpos celestes giravam em torno da Terra, centro do Universo e justamente por ser o centro, a Terra estaria parada, Teoria do Geocentrismo. Em 1543 a Igreja Católica condenou Copérnico a morte na fogueira da Santa Inquisição. Em outras palavras, Copérnico, tentou desacorrentar-se, subiu a ladeira, com muito esforço e viu além do que havia dentro da caverna, ou seja, além do que Aristóteles e Ptolomeu tinham visto. Ao voltar para a caverna e passar essa descoberta, esse novo conhecimento para os demais foi julgado e condenado a morte.
Não muito tempo depois, mais um tenta se desacorrentar e sair da caverna: Galileu Galilei, entre 1613 e 1615, ele escreve as cartas copérnicas onde ele transcreve alguns passos da bíblia deveriam ser interpretados à luz do sistema heliocêntrico de Nicolai Copérnico, o que o levou ao Tribunal do Santo Ofício e Galileu ficou proibido de disseminar tal ideia. Em 1623, o Papo Urbano VIII condenou Galileu a prisão, mas Galileu, provando que a Terra se movia conseguiu comutar a pena de prisão para confinamento (prisão domiciliar) até a sua morte.
A grande pergunta:__Até quando vamos acreditar em contos de fadas? Ou até onde é mais cômodo vivermos dentro dos parâmetros que a sociedade impõe como “certo ou errado”? E o que é certo ou errado? O que é verdade?
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